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quinta-feira, 12 de agosto de 2010

PAIXÃO - DANI D.-

Não importa a época, não importa a cultura, não importa a idade, se é rico ou pobre; nada importa, diante da única vocação que temos. Tudo é insignificante diante da inevitável e incontrolável PAIXÃO.
Emoção que nos envolve, no momento que nos toma, não há mais como fugir, nos invade a alma, mente, corpo, não estamos mais no comando, mas subordinados a ela; Implacável, nos faz perder a identidade e por muitas vezes a pouca dignidade que possuímos. Em muitos momentos nos coloca aos pés do perigo e por outras vezes nos braços da loucura. Sentimento que não nos deixa livre, não conseguimos fugir nunca e por muitas vezes não desejamos escapar de suas mãos fortes e quentes, que estranhamente nos conforta e nos entende em cada decisão tomada, em cada ato realizado. Paixão. Motivo de incivilidade, exagero, sofrimento. Paixão que nos marca cheiros, sabores, sons. Paixão que nos conta dia, hora, tempo. Paixão que motiva descobertas, mudanças e inevitáveis tragédias. Paixão que não se confunde nunca com amor e que não tem pretensão de ser gentil e morna. Amor é pouco. Amor é quase nada, para quem esta acostumada a devorar das entranhas a vida. Vida. Que sem alguma paixão não seria nada. Não seria sequer apaixonante, não seria sequer vida. Paixão.

terça-feira, 10 de agosto de 2010

Urnas ou Light?

É... foi dada a largada para a corrida eleitoral. Detesto ano de eleição. Acho uma bosta, e não adianta vir com esse papinho de democracia. O que me irrita em eleição é que toma o ano inteiro; lá pelo meio de março, isso mesmo março, nós sabemos que as coisas por aqui só começam depois do carnaval; Então lá pelo meio de março, começamos a ver uns camaradas com adesivos, depois toda quinta-feira no meio do jornal tem uma propaganda de mais ou menos quinze minutos e quem não tem TV a cabo vai ter que ver aquele circo; porque logo em seguida começa a novela e se eu desligar acaba que me distraio e perco o capítulo que Totó descobre que é corno. Eleição é um saco! Toda aquela sujeira pelas ruas e nessa época brota gente nas calçadas distribuindo papel, pente, já recebi até lixa de unha com nome de candidato. E pra fechar o pacote a partir do meio de agosto começa a propaganda eleitoral gratuita. Gratuita pra quem? A light não para meu medidor na hora que começa o horário. Ela para o seu? Confesso que já perdi algum tempo da minha vida pensando nisso, foi aí que alguém me disse - “esse horário é gratuito pros partidos” - eles é que não pagam pelo horário da TV. A coca-cola vai lá, fala três segundos e paga muito caro, mais muito caro mesmo. O político vai lá, mete a cara na tua tela, mente e isso tudo tem custo zero pra ele. É... o seu medidor continua rodando. Mais esse ano, é um ano atípico, não pelos trezentos números que você vai ter que digitar naquela urna maldita, mas esse ano tem uma nova lei eleitoral, nova, nova não, fizeram umas emendas. E duas coisas me chamaram a atenção, quer dizer três, a primeira foi eu ter lido a lei, vamos combinar que só “concurseiro” faz isso, mais ninguém lê lei, nem quem trabalha com ela, nem quem faz, porque se o cara relesse a lei que fez... ele ia falar: - Peraí rapaziada, borá fazer isso aqui de novo! A segunda coisa que me chamou a atenção foi: “No horário para a propaganda eleitoral, não será permitido promover marca ou produto.” Quem escreveu isso aqui? Não, não... quem teve essa idéia? O cara acha mesmo que uma marca vai querer vincular sua imagem a algum candidato? Eu podia fabricar supositório, mesmo assim não ia querer vincular meu produto a um partido. Outra coisa que está gerando muita polemica é a história de não poder “ridicularizar candidato”. Como assim? Eu tô na minha casa, e um “homem” público carrega dinheiro na cueca e EU que ridicularizo o candidato? Eu tô trabalhando e um “homem” público faz a dança da pizza numa CPI e EU que ridicularizo o candidato? Eu estou dormindo e um “homem” público cria tanta diretoria que tem que nomear até um diretor de garagem e Eu que ridicularizo o candidato? É... e você pensou que nunca mais ia ouvir falar em censura, heim? Pensei em comprar um nariz de palhaço, mas os tempos são outros; um nariz de palhaço não nos cabe mais. A figura do palhaço chega a ser romântica. E nossos “homens” públicos estão longe de qualquer romantismo. Acho que só nos resta vestir as orelhas de burro e partir para as urnas em outubro. Eu? Não decidi ainda se vou as urnas passar recibo ou a light parar meu medidor. (Dani Dias/AGO2010)

segunda-feira, 24 de agosto de 2009

Calcinhas Reais

Não sei se isso acontece com todas, mais, para mim, calcinha apertada é pior que espinha na ponta do nariz. Além de machucar, marca o corpo e denuncia a silhueta e não existe castigo pior para uma mulher que a calcinha apontar o que está sobrando. Gosto de usá-las, de certa forma me sinto protegida.
Isso já não acontece com o sutiã. Fico sem sutiã na boa, agora não consigo me livrar da calcinha. Outro dia a médica disse que eu podia experimentar dormir sem elas, que ia sentir liberdade. Tomei banho vesti uma camisola e deitei. Televisão, livro, nada de sono. Livro, televisão, hum uma coceirinha, opa não posso me coçar estou sem à parte de baixo! Aquilo me soou quase como experiência sexual. Fui direto ao banheiro, lavei as mãos deitei novamente, tentei abstrair, peguei um livro na pilha dos que estão ainda aguardando ser lidos. Quem sabe a novidade não iria me distrair? Acordei umas três da manha, com a luz incomodando, o livro realmente serviu, estava quase adormecendo quando lembrei que estava sem nada. Bem, se já tinha caído no sono antes, agora seria mole. Apaguei a luz e me cobri. Virei, virei, depois de quinze minutos contando carneirinhos e borboletas passei a contar calcinhas, na décima levantei e vesti uma - que alívio - dormi imediatamente.
Passei dias tentando esquecer aquele episódio virginal, comprei mais algumas para nunca faltar e foi lá, lá que encontrei a minha resposta, um livro que traz a história desta pequenina peça que há tempos atrás foi quase que uma calça e descobri que provavelmente pertenci a uma época em que coube a Rainha Vitória, da Inglaterra, convencer a massa a adotá-la como medida de decência. Fiquei pensando que talvez tenha vivido naquela corte e que quando Vitória ordenou que todas usassem a tal novidade eu tenha sido uma das primeiras a obedecer à ordem. Certo que Vitória disse que teriam que ser brancas, mas quem de nós consegue resistir a um coloridinho? Entre o conselho da médica e o da Rainha, fico com a Monarquia. Afinal que súdito discute a ordem de um soberano?

Dani Dias.