terça-feira, 20 de julho de 2010

munDANOS 2

Peça de 1 Minuto: Dúvida.

Otávio – Merda! Logo agora esse avião some? Estava tudo sobre controle. Planejei tanto esta viagem e agora esse avião desaparece e ainda some no mesmo lugar!
(Pausa).
Telefone? Cadê o telefone? Essa Terapeuta nem pra me atender, ela disse que eu estava de alta; alguém já viu terapeuta dar alta a alguém? Quando voltar preciso arranjar outro médico.
Passaporte? Hum... não posso esquecer meu passaporte. Telefone; passaporte. Paris. Ah Paris! Estudei você nos mínimos detalhes, tenho o roteiro perfeito pra te ver, te sentir. Ah Miguel por que foi embora? Por que não esta aqui segurando minha mão?
(Pausa).
Que tristeza é esta homem! Você pode! Até a Terapeuta te deu alta e você ama Paris, planejou esta viagem com tanto amor e agora só porque deu errado com um avião você esta querendo desistir?!
(Pausa).
É deu errado com um avião. (Pausa) Ah ... se eu pudesse ir a Paris de carro, bem que poderia ter uma ponte, uma ponte daqui a Paris, uma linda ponte por cima do Atlântico. E Miguel, hein? Onde será que esta? Traidor! Planejou tudo, tudinho e faltando um mês... termina! Como assim termina? Já devia estar me traindo. Veio com aquela historinha de que sou indeciso! Indeciso! Não sou indeciso sempre sei o que quero!
(Pausa).
Ai que azia infeliz! Estou de Férias, tenho que fazer uma viagem de férias! Ah... esse avião ... que avião mais escroto!
(Pausa).
Dúvida nada tem a ver com indecisão, não sou indeciso, só estou em dúvida.
(Pausa).
Quer saber, essa dúvida só pode ser um sinal de Deus! É sim, isso não é medo não, é um sinal divino. O universo está tentando me dizer alguma coisa. Sabe de uma coisa? Eu vou é pra Mangaratiba! Vou ficar com a minha Vozinha que me entende, e que sempre me disse que um bicho que não bate as asas não pode voar!

quinta-feira, 15 de julho de 2010

Mundanos by SistersTxt


Por falta de amparo....

Este é um causo que se deu,
Lá pelas bandas do nordeste.
É a história de dois cabras
E Rosa uma flor do agreste.

Os desinfelizes chaleiravam,
A menina com todo tipo de agrado;
Davam de pulseira a “anér”,
Rosinha recebia até bom-bocado.

Levaram todo tipo de fruta,
Também do salgado ao melado.
E nada de Rosa se apetecê,
Por nenhum dos “apaixonado”.

Teve até luta armada na cidade.
O povaréu todo se juntou pra vê,
Quem ia merecer o amor da flor.
Que nem apareceu pra “torcê”.

O que ninguém tinha conhecimento,
É que a menina amor dos “brigão”.
Andava se encontrando as escondidas,
Com Bastião um notável covardão.

Que num era besta de se meter,
Na disputa com os dois “valentão”.
E assim lhe sobra mais tempo,
De conquistar Rosa e seu coração.

E foi com a brisa quente,
E a sombra do umbuzeiro,
Que Rosa jurou amor eterno.
De testemunha um cajueiro.

Montaram os amantes num jumento,
E foram se embora pra Juazeiro.
Lá eles haviam de conseguir sossego
E agora esta você aí perguntando:

E o que foi feito de Zé e Mané?
Esses aprenderam lição importante,
Preste atenção na madame ao invés,
Dê se inquietar com possível amante.

Dani Dias / 2010.

terça-feira, 13 de julho de 2010

Mãe!

MÃE

Valéria Motta


Há quanto tempo aqui? Bom, na casa mesmo tem uns dez anos, mas neste banheiro uns dois. Sabe como é? Os filhos crescem e tomam conta do nosso espaço. (T) Hein? Se não é o contrário? Não, não. Esse contrário aí ainda vai demorar. Por que filho adolescente é assim mesmo. Ocupa espaço. Preenche com as vontades, entende? A psicóloga do colégio dizia que era tudo desejo... isso porque não era na casa dela. Acredita que nem visita recebia mais? O lavabo era irremediavelmente pros desejos dele. Hooooras lá dentro. Bom, pelo menos o garoto saía calminho, o marido não reclamava, a irmã não chorava e a empregada não pedia mais as contas. A vida da gente, hoje em dia, é assim. Melhor não perturbar... só a minha pessoa, claro. Foi por conta disto que dei um basta, tipo socorro mamãe surtou. Pois é... me dei o direito de bater a porta como eles fazem e me trancar aqui. Só que ninguém nunca imaginou que os minutos virariam horas que virariam dias... anos. Agora é a coitada da Justa é que sabe da casa. Só fico escutando: Justa cadê isso, cadê aquilo. Hã? A família? Reclamou no começo, mas depois se acostumou. Normal como dizia a minha menor. Saudade deles? Sinto... claro... só que descobri que amo dormir o tempo que meu corpo pede, compreende? Porque tava demais, vou ser sincera. Me sacrifiquei anos a fio para virar móveis e utensílios, não dá! Não gosto dessa invisibilidade! Sabe quem nem vontade tinha mais? Juro. Vai cansando sabe? Você no maior sono, a cama balança, aquele troço vai se chegando, você fica meio lá meio cá... já não tem aquela agilidade toda e pronto foi... Mas tudo bem, fazia parte. Pelo menos a cama balançava de vez em quando. Agora as crianças... meio decepção, entende? A mais nova vivia mais na casa das amigas do que aqui. Não sei que tanta graça ela via em dormir na casa da Lê, da Pri e da Rê. E a mãe aqui que agüentasse esta sinfonia! Mas passa... minha avó dizia que o bom da adolescência é que passa. Eu mesmo, nem lembro direito da minha. Lembra da sua? Pois é. Todo mundo pula essa parte. Hein? Se não me arrependo de morar aqui? Imagina! Tem barulhinho de água quando fico com vontade de chorar. Tem espelho quando penso que tenho vinte anos a menos, tem até banheira, olha só. O problema é que já estou naquela fase do entala, mas para relaxar os pés dá. Difícil relaxar... assim... depois de tanto tempo sem ter com quem conversar. Hã? Já vai? Mas, o que foi? Não respondi tudo certo? Ah, sei... tem mais gente pra pesquisar. Sei como é que é... toda mãe sabe como é que é...a gente nasceu para entender tudo. (T) Tudo bem. A próxima pesquisa é quando mesmo? Hum... é trienal, entendi. Hã? Se sou feliz? Claro... tenho a minha família, meus amigos..tudo bem que ando meio afastada, mas acho que... Oi? Estou sendo sincera sim! Imagina! A minha vida é quase perfeita. Só falta uma pitada de coragem, pra abrir a porta, mas isso a gente vai levando.

ASsimbiótica - Em: Who's the boss? The hand is.



Cômica relação antagônica entre criação e criadora a respeito das divergentes definições do que é ser mulher.

segunda-feira, 12 de julho de 2010

Guardar e não sofrer mais

Guardar e não sofrer mais


Nunca pensei que fosse tão simples. Abrir aquela carta, ler sua letra miúda... e não chorar uma lágrima sequer. Simplesmente guardar tudo no fundo da gaveta e não sofrer mais, João. Juro que não te esqueci... seu lugar é e será sempre insubstituível. Nós dois sabemos disso. Só que me pergunto. O que fizemos para este laço nunca se romper? Dez anos e ele nunca rompeu, né João? Nem esgarçou... nada. Te disse tantas verdades, exigi promessas de amor, palavras doces. E você, João, sempre cumpriu com cada um delas... Menos a principal, claro. Desistiu de mim antes de existir qualquer coisa mais concreta. Será que é por isso que continuamos nos amando? Sem nos importarmos com quem está do nosso lado? Que egoísmo nosso, hein João? Será isso traição? Será isso outra forma de amar? Não sei... mas , agora, me faz bem ler suas palavras cheias de desejo. Leio e apenas sorrio. Dizem que quando nos lembramos muito vivamente de algo é porque o cérebro gravou no seu HD esta informação. E a informação que tenho hoje para te dar é que não importa mais o que vou fazer da minha vida. Não importa com quem vou dormir, em qual cama vou deitar e nem que corpo vou decidir amar... o fato é que a pasta “João” está gravada em alguma sinapse qualquer. Por isso, guardarei sem dor qualquer carta que receber de você. E prometo sentir delicadamente cada alento que vier dela para ser feliz.

sexta-feira, 4 de junho de 2010

sem titulo

Se o longe alcança as estrelas

prepare-se desde já

para tocar paciente o céu da minha boca

para afivelar o meu rosto sob o teu rosto.

para colocar seu ouvido sobre meus sonhos

e escutar as idéias que tilintam sobre a minha cabeça

presta atenção nos candelabros vazios da tua existência


Se os seus dedos imensos alcançam as estrelas,

mova as tuas mãos pelos céus

e afasta as nuvens dos meus pensamentos.

quinta-feira, 3 de junho de 2010

Kingdom

The door shuts behind me with a soft rush of air.


I’m having difficulty keeping my breath under control and my heart hammers against my ribs. Everything is familiar, but at the same time everything is unknown.

I feel as if I have entered a decompression chamber, sealed off from the outside world, a perfect vacuum housing its own solitary universe; a womb-like temperature that keeps the occupants content, along with the pills they consume with their insipid lunch. Odours of cleaning-polish, urine and a faint whiff of boiled cooking cabbage hang in the air like steam from a dirty kettle.

I step into the sterile, muted hallway and my footsteps echo dully on the rubber floor. Above me the sound of a fluorescent strip light buzzes comfortably, while a distant squeak of wheels and a door clanging shuts signalizing human activity somewhere down in the placid depths of the building.

I start to walk, trailing my fingers against the recently painted walls. They have used cheap whitewash instead of gloss and the resulting slightly gritty sensation feels as if I am dragging my nails across a blackboard. Resignedly, I let the corridor guide me to the room precisely three doors on the left. The palms of my hands are sticky and my fingers twitch. When I touch the door I notice it is already open. This, in my experience, is quite unusual.

I walk in, and immediately my feet sink into the thick pile carpet, as if I have started to wade across sand. I have to resist the momentary urge to take my shoes and socks off and paddle in the glorious warm shallows like a child. Instead, as adults must, I stand for a moment, taking in my surroundings, the comfortable room with the smell of dust rising faintly from its thick wooden furniture and the sagging, expectant shelves of books.

Driscoll house

With some difficulty, Ishmail made out the lettering on the side of the huge building through the bouncing rain. The cab driver mutely tap the meter and Ishmail fumbled through his pockets to get rid of the loose change. Reluctantly he left the warmth of the cab, pulling the coat over his head and dragging his rucksack with him. The enormous bulk of the hotel reared over his head like a warning, raindrops pelting from a leaden sky. As he mounted the steps, he saw a small metal sign on the left.



Headquarters of the International Language Club



That sounds fun, though Ishmail, miserably.

He faced great difficulty trying to open the black wooden door, considering he was also trying to push instead pull as the metal in the door indicates.