terça-feira, 10 de agosto de 2010

Urnas ou Light?

É... foi dada a largada para a corrida eleitoral. Detesto ano de eleição. Acho uma bosta, e não adianta vir com esse papinho de democracia. O que me irrita em eleição é que toma o ano inteiro; lá pelo meio de março, isso mesmo março, nós sabemos que as coisas por aqui só começam depois do carnaval; Então lá pelo meio de março, começamos a ver uns camaradas com adesivos, depois toda quinta-feira no meio do jornal tem uma propaganda de mais ou menos quinze minutos e quem não tem TV a cabo vai ter que ver aquele circo; porque logo em seguida começa a novela e se eu desligar acaba que me distraio e perco o capítulo que Totó descobre que é corno. Eleição é um saco! Toda aquela sujeira pelas ruas e nessa época brota gente nas calçadas distribuindo papel, pente, já recebi até lixa de unha com nome de candidato. E pra fechar o pacote a partir do meio de agosto começa a propaganda eleitoral gratuita. Gratuita pra quem? A light não para meu medidor na hora que começa o horário. Ela para o seu? Confesso que já perdi algum tempo da minha vida pensando nisso, foi aí que alguém me disse - “esse horário é gratuito pros partidos” - eles é que não pagam pelo horário da TV. A coca-cola vai lá, fala três segundos e paga muito caro, mais muito caro mesmo. O político vai lá, mete a cara na tua tela, mente e isso tudo tem custo zero pra ele. É... o seu medidor continua rodando. Mais esse ano, é um ano atípico, não pelos trezentos números que você vai ter que digitar naquela urna maldita, mas esse ano tem uma nova lei eleitoral, nova, nova não, fizeram umas emendas. E duas coisas me chamaram a atenção, quer dizer três, a primeira foi eu ter lido a lei, vamos combinar que só “concurseiro” faz isso, mais ninguém lê lei, nem quem trabalha com ela, nem quem faz, porque se o cara relesse a lei que fez... ele ia falar: - Peraí rapaziada, borá fazer isso aqui de novo! A segunda coisa que me chamou a atenção foi: “No horário para a propaganda eleitoral, não será permitido promover marca ou produto.” Quem escreveu isso aqui? Não, não... quem teve essa idéia? O cara acha mesmo que uma marca vai querer vincular sua imagem a algum candidato? Eu podia fabricar supositório, mesmo assim não ia querer vincular meu produto a um partido. Outra coisa que está gerando muita polemica é a história de não poder “ridicularizar candidato”. Como assim? Eu tô na minha casa, e um “homem” público carrega dinheiro na cueca e EU que ridicularizo o candidato? Eu tô trabalhando e um “homem” público faz a dança da pizza numa CPI e EU que ridicularizo o candidato? Eu estou dormindo e um “homem” público cria tanta diretoria que tem que nomear até um diretor de garagem e Eu que ridicularizo o candidato? É... e você pensou que nunca mais ia ouvir falar em censura, heim? Pensei em comprar um nariz de palhaço, mas os tempos são outros; um nariz de palhaço não nos cabe mais. A figura do palhaço chega a ser romântica. E nossos “homens” públicos estão longe de qualquer romantismo. Acho que só nos resta vestir as orelhas de burro e partir para as urnas em outubro. Eu? Não decidi ainda se vou as urnas passar recibo ou a light parar meu medidor. (Dani Dias/AGO2010)

!RUNNERS - até 02/09 - Vai ficar aí parado?

quarta-feira, 4 de agosto de 2010

!Runners



!RUNNERS - QUARTAS E QUINTAS 21H - SOLAR DE BOTAFOGO.

Texto e direção: Cristina Teixeira
Produção: Proposta A6
Elenco: Ana Beatriz Macedo, Anita Mafra, Carol Costa, José Loreto, Manoel Madeira e Pedro Uchoa
Ator convidado: Marcio Augusto

O espetáculo explora os vários distúrbios psicológicos humanos, com boas doses de humor negro a partir de uma sessão de terapia em grupo.


Solar de Botafogo, R. Gal Polidoro, 180. (2543-5411).
Cap.: 40 pessoas.


Já quer garantir o seu ingresso?
www.ingresso.com

sexta-feira, 30 de julho de 2010

O que seria da criação sem um bom bate bola? - Dani D. e Victor 18 -

"Stand up":O que pode dar errado num Voo da British Airways? - Dani D. -

- Eu morei em Londres um tempo, e aí sempre que sobrava uma grana eu vinha passar o natal com a família. Era bom, eu gostava de vir passar o fim do ano aqui, Rio de Janeiro, solzão, festa em família... tudo muito animado. Em Londres eu ficava muito só. Então quando eu chegava aqui, meio que acontecia de tudo... e aí eu lembrava porque eu preferia continuar a uma distancia segura da minha família. Numa dessas voltas pra casa, Eu estava realmente ansioso pela volta, no Rio fazia um calor insuportável, eu já tava ficando sem dinheiro. As brigas típicas que acontecem todo fim de ano já tinham rolado. Então eu estava especialmente feliz em sair do calor, da família, das brigas e voltar para a tranqüilidade da minha vivência internacional. Pra variar a família toda foi se despedir de mim no aeroporto. Aquela coisa toda, aquela choradeira da minha mãe. E na minha cabeça eu só conseguia ouvir: Espera, depois que você ultrapassar aquela porta, vai ser só ar condicionado, frio e silêncio. Tudo que eu mais queria naquele momento era frio e silencio e aí tudo seria perfeito, depois que eu entrasse naquele avião da British Airways, tudo seria perfeito. Afinal o que poderia dar errado num voo da British Airways.
Ainda faltava cerca de trinta minutos para o embarque, mais eu falei que era melhor eu entrar logo, sabe como são os britânicos, né mãe? Fui o primeiro a entrar no avião. Avião limpo, comissários educados, piloto que inspira confiança. Alcancei minha confortável poltrona, que ficava no meio da fileira, sabe? Quando você vai escolher onde sentar e aí tem a poltrona “janela”, tem a poltrona “corredor” e tem a “confortável” poltrona do meio. Sentei ali comecei a repetir sem parar: ninguém senta aqui, ninguém senta aqui, ninguém senta aqui. E aí apareceu o primeiro intruso, tive que levantar pra ele sentar, classe econômica, né? Mais tudo bem, estava tudo bem, o ar condicionado estava geladinho. O avião começou a encher. Mesmo sem meu comando meu cérebro começou a repetir como se fosse um mantra: ninguém senta aqui, ninguém senta aqui, ninguém senta aqui. E aí as comissárias começaram a fazer as explicações de segurança, aí eu relaxei totalmente. Agora ninguém ia entrar mais, levantei o braço da poltrona, botei umas revistas na poltrona do lado que agora também era minha, me espalhei completamente. Feche os olhos e relaxei, já estava até sonhando, quando de dentro dos meus sonhos ouvi um: com licença. Abri os olhos e diante de mim estava o dono da poltrona corredor. Fiquei pensando: esse cara tava onde? saiu de onde? porque só veio sentar agora? Recolhi minhas coisas e achei melhor me apresentar, porque mesmo sendo um avião da British Airways, o vôo era de doze horas. Me apresentei pro cara da janela, não entendi muito bem o que ele disse, só sei que ele virou e fechou os olhos, acho que não queria conversar. Virei pro outro e me apresentei.
Ele falou o nome dele e disse que era o piloto do avião. Eu disse ahh... piloto de avião, ele não, não, piloto desse avião. Eu olhei pra ele e falei: Ah ta certo, então me leva lá na cabine. Não rolou de ir na cabine, mais a tripulação toda vinha e cumprimentava o cara. Ele disse que tinha trocado com um amigo. A única coisa que eu consegui pensar na hora foi: Tomara que esse amigo seja piloto. Mais o que podia dar errado nesse vôo? Nada! Serviram o jantar, sim jantar mesmo. Tá acostumado com barra de ceral e amendoim, né? O piloto falou um pouco da vida dele, eu contei um pouco do meu “Work Experience” e aí do alto do silencio do vôo uma mulher gritou: EU QUERO DÁ! EU QUERO DÁ! EU QUERO DÁ!
Eu não sei de onde saiu tanta gente com uniforme, mais todo mundo pulou encima da mulher. O piloto disse que ia até lá ajudar e saiu corredor adentro. A mulher calou a boca, as luzes baixaram, eu entendi que era a hora de tudo mundo dormir. Devem ter dado algum calmante pra coitada, pra ela se manter calma até chegar a Londres, assim que ela chegasse em terra firme ela poderia cumprir seu intuito. Depois de umas dez horas de vôo eu estava com sede e fui até a cozinha do avião, aquele negócio atrás da cortina, cheguei lá pedi um copo de água, a comissária de bordo sorriu pra mim e disse que ia levar até a minha poltrona. Quando eu já estava me virando pra sair, olhei pro chão e vi, eu vi, ninguém me contou não. Eu vi a mulher que queria dar toda amarrada, ela não estava algemada não, ela estava amarrada igual a uma lingüiça. Amarrada com uma corda grossa. Aquilo nêgo deve ter nessas tribos indígenas por aí, sei lá... Osama Bin Laden deve ter aquele tipo de corda, agora eu nunca ia imaginar na vida, nem na morte, que dentro de um avião da British Airways ia ter aquele tipo de corda. O fato é: quem queria dar era a mulher e eu não ia perguntar nada, porque o que eu queria era terminar o vôo bem sentado na minha poltrona. A comissária trouxe minha água e eu nem bebi. Quando o avião tocou no solo eu já tava em pé pra sair fora dali. E aí o piloto avisou que todos tinham que permanecer sentados, que antes do desembarque ia ter um procedimento policial dentro do avião. Eis que para minha surpresa e dessa vez até o cara do meu lado que passou o tempo todo dormindo levantou a cabeça. Surgiu uma fila de policiais da Scotland Yard por cada corredor do avião. De repente surgi à lingüiça gigante no alto, quer dizer a mulher toda amarrada sendo levada pelos homens de preto. Ninguém dizia nada. E aí o cara do meu lado que passou o vôo todo mudo, do nada falou:
- ...E ela só queria dar.

terça-feira, 20 de julho de 2010

munDANOS 2

Peça de 1 Minuto: Dúvida.

Otávio – Merda! Logo agora esse avião some? Estava tudo sobre controle. Planejei tanto esta viagem e agora esse avião desaparece e ainda some no mesmo lugar!
(Pausa).
Telefone? Cadê o telefone? Essa Terapeuta nem pra me atender, ela disse que eu estava de alta; alguém já viu terapeuta dar alta a alguém? Quando voltar preciso arranjar outro médico.
Passaporte? Hum... não posso esquecer meu passaporte. Telefone; passaporte. Paris. Ah Paris! Estudei você nos mínimos detalhes, tenho o roteiro perfeito pra te ver, te sentir. Ah Miguel por que foi embora? Por que não esta aqui segurando minha mão?
(Pausa).
Que tristeza é esta homem! Você pode! Até a Terapeuta te deu alta e você ama Paris, planejou esta viagem com tanto amor e agora só porque deu errado com um avião você esta querendo desistir?!
(Pausa).
É deu errado com um avião. (Pausa) Ah ... se eu pudesse ir a Paris de carro, bem que poderia ter uma ponte, uma ponte daqui a Paris, uma linda ponte por cima do Atlântico. E Miguel, hein? Onde será que esta? Traidor! Planejou tudo, tudinho e faltando um mês... termina! Como assim termina? Já devia estar me traindo. Veio com aquela historinha de que sou indeciso! Indeciso! Não sou indeciso sempre sei o que quero!
(Pausa).
Ai que azia infeliz! Estou de Férias, tenho que fazer uma viagem de férias! Ah... esse avião ... que avião mais escroto!
(Pausa).
Dúvida nada tem a ver com indecisão, não sou indeciso, só estou em dúvida.
(Pausa).
Quer saber, essa dúvida só pode ser um sinal de Deus! É sim, isso não é medo não, é um sinal divino. O universo está tentando me dizer alguma coisa. Sabe de uma coisa? Eu vou é pra Mangaratiba! Vou ficar com a minha Vozinha que me entende, e que sempre me disse que um bicho que não bate as asas não pode voar!

quinta-feira, 15 de julho de 2010

Mundanos by SistersTxt


Por falta de amparo....

Este é um causo que se deu,
Lá pelas bandas do nordeste.
É a história de dois cabras
E Rosa uma flor do agreste.

Os desinfelizes chaleiravam,
A menina com todo tipo de agrado;
Davam de pulseira a “anér”,
Rosinha recebia até bom-bocado.

Levaram todo tipo de fruta,
Também do salgado ao melado.
E nada de Rosa se apetecê,
Por nenhum dos “apaixonado”.

Teve até luta armada na cidade.
O povaréu todo se juntou pra vê,
Quem ia merecer o amor da flor.
Que nem apareceu pra “torcê”.

O que ninguém tinha conhecimento,
É que a menina amor dos “brigão”.
Andava se encontrando as escondidas,
Com Bastião um notável covardão.

Que num era besta de se meter,
Na disputa com os dois “valentão”.
E assim lhe sobra mais tempo,
De conquistar Rosa e seu coração.

E foi com a brisa quente,
E a sombra do umbuzeiro,
Que Rosa jurou amor eterno.
De testemunha um cajueiro.

Montaram os amantes num jumento,
E foram se embora pra Juazeiro.
Lá eles haviam de conseguir sossego
E agora esta você aí perguntando:

E o que foi feito de Zé e Mané?
Esses aprenderam lição importante,
Preste atenção na madame ao invés,
Dê se inquietar com possível amante.

Dani Dias / 2010.

terça-feira, 13 de julho de 2010

Mãe!

MÃE

Valéria Motta


Há quanto tempo aqui? Bom, na casa mesmo tem uns dez anos, mas neste banheiro uns dois. Sabe como é? Os filhos crescem e tomam conta do nosso espaço. (T) Hein? Se não é o contrário? Não, não. Esse contrário aí ainda vai demorar. Por que filho adolescente é assim mesmo. Ocupa espaço. Preenche com as vontades, entende? A psicóloga do colégio dizia que era tudo desejo... isso porque não era na casa dela. Acredita que nem visita recebia mais? O lavabo era irremediavelmente pros desejos dele. Hooooras lá dentro. Bom, pelo menos o garoto saía calminho, o marido não reclamava, a irmã não chorava e a empregada não pedia mais as contas. A vida da gente, hoje em dia, é assim. Melhor não perturbar... só a minha pessoa, claro. Foi por conta disto que dei um basta, tipo socorro mamãe surtou. Pois é... me dei o direito de bater a porta como eles fazem e me trancar aqui. Só que ninguém nunca imaginou que os minutos virariam horas que virariam dias... anos. Agora é a coitada da Justa é que sabe da casa. Só fico escutando: Justa cadê isso, cadê aquilo. Hã? A família? Reclamou no começo, mas depois se acostumou. Normal como dizia a minha menor. Saudade deles? Sinto... claro... só que descobri que amo dormir o tempo que meu corpo pede, compreende? Porque tava demais, vou ser sincera. Me sacrifiquei anos a fio para virar móveis e utensílios, não dá! Não gosto dessa invisibilidade! Sabe quem nem vontade tinha mais? Juro. Vai cansando sabe? Você no maior sono, a cama balança, aquele troço vai se chegando, você fica meio lá meio cá... já não tem aquela agilidade toda e pronto foi... Mas tudo bem, fazia parte. Pelo menos a cama balançava de vez em quando. Agora as crianças... meio decepção, entende? A mais nova vivia mais na casa das amigas do que aqui. Não sei que tanta graça ela via em dormir na casa da Lê, da Pri e da Rê. E a mãe aqui que agüentasse esta sinfonia! Mas passa... minha avó dizia que o bom da adolescência é que passa. Eu mesmo, nem lembro direito da minha. Lembra da sua? Pois é. Todo mundo pula essa parte. Hein? Se não me arrependo de morar aqui? Imagina! Tem barulhinho de água quando fico com vontade de chorar. Tem espelho quando penso que tenho vinte anos a menos, tem até banheira, olha só. O problema é que já estou naquela fase do entala, mas para relaxar os pés dá. Difícil relaxar... assim... depois de tanto tempo sem ter com quem conversar. Hã? Já vai? Mas, o que foi? Não respondi tudo certo? Ah, sei... tem mais gente pra pesquisar. Sei como é que é... toda mãe sabe como é que é...a gente nasceu para entender tudo. (T) Tudo bem. A próxima pesquisa é quando mesmo? Hum... é trienal, entendi. Hã? Se sou feliz? Claro... tenho a minha família, meus amigos..tudo bem que ando meio afastada, mas acho que... Oi? Estou sendo sincera sim! Imagina! A minha vida é quase perfeita. Só falta uma pitada de coragem, pra abrir a porta, mas isso a gente vai levando.